quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

You bring me sunshine, you bring me rain

— Posso entrar?
— Pode ué, o quarto não é meu.
— Nossa, se o mau humor tá tanto assim eu volto outra hora.
— Não, pode ficar, só tô vendo TV, não vou nem falar com você.
— Mas eu queria falar com você...
— Você também? Virei atração nessa casa agora, é isso? Todo mundo quer falar comigo, saber como eu tô... Já pensaram que talvez eu não queira falar com ninguém? Que talvez eu esteja bem assim?
— Ah, você tá bem? Tá. Vou fingir que eu acredito. Você acha mesmo que eu não escuto as conversas de madrugada? Nem os socos na parede e as portas sendo batidas? E você já parou pra pensar que todo mundo tá preocupado com você?
— Preocupados com o que? Com eu ser um incompetente? Você acha que eu não sei disso?
— Pára de falar assim! Por favor! Você não é incompetente. Pelo amor de Deus, você tem noção do quanto é único? Do quanto é especial? Você sabe o potencial que tem... Aah! Não vou ficar rasgando seda pra você...
— Só que só você vê isso. Quem eu preciso que veja, não vê...
— E se a gente tentasse te ajudar? Deixa eu te ajudar...
— Como? Fazendo caridade? Não quero caridade!
— Não é caridade! É ajuda! Porra, eu te amo e não gosto de saber que você tá assim!
— Ah é? Achei que você adorava me ver na merda.
— Cala a boca! Meu Deus, você não sabe o quanto eu queria que estivesse tudo bem, que você estivesse feliz... Deixa eu tentar?

Ele levantou jogando o controle da televisão no sofá e ignorando o pedido. Tudo o que ela queria era que o sol voltasse a brilhar para ele.

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