Terça-feira, seis e meia da manhã, marginal Pinheiros. Em um dia atípico no qual não há trânsito. Os carros fluem por entre as sete longas pistas, cada um com o seu rumo. Andam como se fosse algo automático, e não como se de fato houvesse um ser humano para cada um deles. Deus, quantos seres humanos! Passam pelo asfalto de modo corriqueiro, não prestam atenção no pneu que bóia no rio, nos prédio que ficam para trás, muito menos no sol que nasce no horizonte. É apenas um caminho, sem qualquer significado.
Em meio à tão desimportante e usual cena algo se destaca. Entre as faixas um e dois, como se fosse qualquer uma das árvores, ou o pneu boiando, há um cachorro. Ou o que era dele. Estatelado, esmagado, esquecido. O vermelho do sangue se mistura com o dourado de seu pêlo e o cinza do asfalto. É possível distinguir algumas (tristes) partes de seu corpo. E os carros passam por ele, alguns até por cima dele. Um resquício de vida que agora inexiste, apenas os seus pedaços comprovam que um dia existiu.
Os carros passam, e ele fica lá, esfolado, esperando virar parte da pista, ser algo corriqueiro, inquietantemente perturbador.
Em meio à tão desimportante e usual cena algo se destaca. Entre as faixas um e dois, como se fosse qualquer uma das árvores, ou o pneu boiando, há um cachorro. Ou o que era dele. Estatelado, esmagado, esquecido. O vermelho do sangue se mistura com o dourado de seu pêlo e o cinza do asfalto. É possível distinguir algumas (tristes) partes de seu corpo. E os carros passam por ele, alguns até por cima dele. Um resquício de vida que agora inexiste, apenas os seus pedaços comprovam que um dia existiu.
Os carros passam, e ele fica lá, esfolado, esperando virar parte da pista, ser algo corriqueiro, inquietantemente perturbador.

3 comentários:
=(
Tem tanta vida que a gente passa por cima, sem nem perceber - bate, estralhaça, e não está nem aí.
O ser humano é um bicho egoísta por natureza.
(E se eu começo meu dia assim, minha semana acaba :( )
Faço minhas as palavras de Isadora! Sem mais nem menos!
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