sexta-feira, 9 de abril de 2010

Busca

Acordo e me desfaço. Em pedaços, sou uma, várias ou nenhuma. Busco aquilo que o vento levou, roubou. Encontro-me em outras pessoas, mas se ninguém é o mundo de ninguém, como posso eu ter o mundo de alguém? Sorrio e me divido: desde quando temos a permissão para sermos felizes? Vontades reprimidas. Sonhos e desejos esquecidos, ou trocados. Nesse jogo de cada um por si, o meu egoísmo, ironicamente, deixa de existir. Viver e ser feliz hoje é paradoxal. Na vida só há espaço para reclamação. A felicidade torna-se distante, uma busca incessante. Busco algo que me refaça. Que faça com os pedaços sejam enfim um todo único. O resto deve vir com essa reforma. A esperança insiste que talvez o é melhor acreditar.

1 comentários:

Vitor disse...

Que bonito, eminha! Gostei desse texto mais do que normalmente já gosto da sua escrita.

Continue assim, sim?