Naquela manhã de segunda-feira todos pareciam querer esticar um pouquinho mais os segundos que se passavam tão rápido. Eles levantaram mais cedo do que o costume, quando ela estava tomando café da manhã, sentada à mesa, para demorar um pouco mais. Os três fingiam ser mais um dia, e tentavam não demonstrar qualquer ansiedade em cada tic e cada tac do relógio. Mas o barulho, o incômodo e não usual barulho, do chuveiro no andar de cima fazia com que eles respirassem mais fundo. Ela bebeu o suco, tentando engolir o nó que era criado em sua garganta. Eles conversavam sobre futilidades.
— Seis e meia, preciso ir. Não posso chegar atrasada — disse ela ainda assim indo um pouco devagar, espreguiçando-se mais do que o comum.
— A água parou, bate na porta dele e dá tchau.
— Vou sim, pode deixar.
Ela subiu e não quis bater na porta, quis na verdade que todos aqueles relógios parassem no momento em que a porta da cozinha se fechou atrás dela. Mas isso não aconteceu. Pegou suas coisas e bateu na porta ao lado da sua. Uma, duas, três vezes:
— Oi! Não ouvi você batendo — ele estava com os cabelos molhados, os óculos ainda embaçados e apenas de calça
— Tudo bem, só queria te dar tchau. Boa viagem, se cuida, tá? — disse em uma mistura de melancolia e saudosismo.
Ele apenas sorriu e fechou a porta.
Alguns dias depois ela estacionava o carro na garagem e relembrava aquela cena. Sentia falta dele. Sentia falta de precisar pensar se colocava o carro na rua ou atrás do dele, afinal ele sempre saía à noite. Sentia até mesmo falta da raivinha que sentia quando estava chovendo e tinha que deixar o carro na rua.
Sentia falta de tomar cuidado com o barulho de manhã para que ele não acordasse. Dos jogos de quarta que ele a mantinha acordada. Das conversas dele com a namorada durante a madrugada. Queria entrar em casa e poder vê-lo nem que fosse de saída. Queria ouvir a sua voz ali perto. Queria ser criança novamente.
— Seis e meia, preciso ir. Não posso chegar atrasada — disse ela ainda assim indo um pouco devagar, espreguiçando-se mais do que o comum.
— A água parou, bate na porta dele e dá tchau.
— Vou sim, pode deixar.
Ela subiu e não quis bater na porta, quis na verdade que todos aqueles relógios parassem no momento em que a porta da cozinha se fechou atrás dela. Mas isso não aconteceu. Pegou suas coisas e bateu na porta ao lado da sua. Uma, duas, três vezes:
— Oi! Não ouvi você batendo — ele estava com os cabelos molhados, os óculos ainda embaçados e apenas de calça
— Tudo bem, só queria te dar tchau. Boa viagem, se cuida, tá? — disse em uma mistura de melancolia e saudosismo.
Ele apenas sorriu e fechou a porta.
Alguns dias depois ela estacionava o carro na garagem e relembrava aquela cena. Sentia falta dele. Sentia falta de precisar pensar se colocava o carro na rua ou atrás do dele, afinal ele sempre saía à noite. Sentia até mesmo falta da raivinha que sentia quando estava chovendo e tinha que deixar o carro na rua.
Sentia falta de tomar cuidado com o barulho de manhã para que ele não acordasse. Dos jogos de quarta que ele a mantinha acordada. Das conversas dele com a namorada durante a madrugada. Queria entrar em casa e poder vê-lo nem que fosse de saída. Queria ouvir a sua voz ali perto. Queria ser criança novamente.

2 comentários:
Olha, eh muito bom achar gente que escreve bem.
Brigada pelo seu comentario no meu blog - vou colocar o link do seu la tbm.
beijos!
Aposto que o texto "Da volta" que você vai escrever vai ser ainda melhor que esse ;)
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