terça-feira, 8 de dezembro de 2009

A noite dos sonhos

Depois de me perder entre a Pompéia e Perdizes, e ter quase certeza de que não chegaria a tempo, lá estava eu em frente ao número 175 da Rua Piracicaba. As portas de vidro me davam certo medo. E o que me esperava lá dentro parecia falar ao meu ouvido: entra Camila, entra! Estacionei o carro, tentei controlar o nervosismo e a ansiedade e fui. Na porta dei de cara com o Paulo Soares, vulgo Amigão, que não só abriu a porta pra mim como também me deu um ‘boa noite’, me deixando um pouco mais nervosa. Na recepção tive que esperar o meu anfitrião, que chegaria em alguns minutos. Enquanto esperava passaram pelas portas de vidro ninguém mais ninguém menos do que José Trajano, Juca Kfouri e Eduardo Elias. Quis morrer.

Enfim ouvi a voz do PVC me chamando. Passei pela catraca com o meu belo crachá de visitante e o segui. Em uma parede estavam penduradas placas de concreto com as mãos e os pés de jogadores e técnicos. Entre eles, Felipão, Ronaldinho Gaúcho e Gilmar. Apaixonante. No camarim pude ver os homens que eu tanto admiro sendo maquiados, no mínimo peculiar. Pude também ouvir uma conversa entre João Palomino, PVC e Juca Kfouri sobre Joanesburgo e a Copa de 2010. Pronto, cinco minutos lá dentro e uma certeza: eu estava apaixonada por aquele lugar.

A caminho do estúdio o PVC me mostrou onde era gravado o Bola na Rede, o Loucos por Futebol, o Sportscenter e o Linha de Passe. Mais uma vez, apaixonante. Eu parecia uma criança na véspera do Natal, com um sorriso de orelha a orelha e os olhos brilhando. Sentei na cadeira designada a mim e fiquei lá, apenas observando o que os quatro faziam. Cada movimento, cada fala, cada risada. Querendo que os minutos passassem mais devagar ou que o programa tivesse no mínimo umas dez horas. E mesmo assim não seria suficiente.

Tudo aquilo parecia outro mundo. Um mundo mágico, um mundo que eu estava louca para fazer parte. Faltando meia hora para o programa acabar, quando eu imaginava que nada mais pudesse aumentar meu sorriso, o estúdio do Sportscenter é aceso. Apaixonante, pois qualquer outra palavra não faria jus para o que eu senti no momento. Paulo Soares e Antero Greco entraram e sentaram no cenário. Quis morrer, de novo.

Ao final, o PVC ainda disse as três palavrinhas que fizeram da noite uma das mais memoráveis: aparece de novo. Saí daquele mundo lindo com a sensação de estar completa e de ter me encontrado. E mesmo a chuva e o trânsito da madrugada na Marginal Tietê não me tiraram aquele sorriso. O mundo da ESPN tinha se alastrado para o meu, pelo menos naquela noite.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Deixe...

Não me acorde, por favor. Por favor, finja que não me viu, que não percebeu o meu sorriso no rosto enquanto durmo. Por favor, não me acorde. Estou sonhando. Sonhando com você. Deixe que eu me perca nesse sonho, até que ele pareça real o suficiente para que quando eu sentir seu cheiro, eu ache que você realmente está ao meu lado. Deixe que eu sonhe que você me abraça, beija minha testa e eu então posso ter certeza de que está tudo bem de novo. Por favor, deixe que eu pense que o seu abraço é real, que o seu beijo e seu carinho são verdadeiros. Deixe que eu me iluda dessa vez, achando que o pra sempre existe, mesmo que seja apenas neste momento. Deixe que eu possa finalmente falar que lhe amo, sem que as palavras fiquem entaladas na minha garganta. Por favor, não me acorde. Aqui está tudo bem, tenho você, tenho seu calor. Posso olhar o seu sorriso e sorrir de volta. Posso olhar no fundo dos seus olhos e passar horas imaginando o que você está pensando. Posso me esconder em seu ombro e apenas respirar você. Posso olhar seu cabelo, passar a mão pelo seu rosto, pelo seu queixo e finalmente repousa-la em seu peito, sentindo sua respiração calma e seu coração bater. Deixe que eu sonhe, só hoje. Por favor, não me acorde.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Everybody lies...

A linha editorial do blog talvez sofra alterações. Pretendo escrever uma "crítica" de algo a cada 15 dias. Mas só pretendo, pode dar certo, ou não. Veremos.

Acho que todo mundo conhece (ou pelo menos já ouviu falar) o médico mais incomum e ácido da televisão, Gregory House, esse moçoilo aí do lado, todo lindo. Sou completamente apaixonada por ele e pela série, que passa aqui no Brasil todas as quintas às 23h00 na Universal. Mas, como não tenho a menor paciência para esperar que os canais de TV legendem os episódios e então comecem a transmiti-los, sigo a programação i americana, baixando os episódios pela internet. Sim, como uma nerd. Resumindo, se você, querido leitor, acompanha a série pela Universal, esteja avisado que talvez algumas novidades podem ser estragadas. Então, se não quiser saber, pode parar de ler por aqui, eu não vou me importar. Na realidade, nem vou saber mesmo!

Aos que ficaram, vamos ao que interessa. A série House, M.D. é, basicamente, a vida do Dr. House, que é interpretado pelo charmosíssimo Hugh Laurie (sim, o pai do Stuart Little). Ele é um médico de diagnósticos, e todos os pacientes que têm algum problema não decifrável para qualquer outro especialista vão parar nas mãos dele. Até aí, simples e bem sem graça, né? A questão é que House não é um médico qualquer. Além de ser um viciado em Vicodin, um analgésico a base de morfina, que toma devido a um problema em sua perna, ele também tem um sarcasmo, uma falta de sensibilidade com as pessoas e um modo de falar tudo o que lhe vem à cabeça sem se importar com o que os outros vão pensar, que fazem dele alguém muito mais divertido. Muitas vezes o humor negro é utilizado, o que rende risadas.

House lidera uma equipe de três médicos, algumas vezes quatro, que o ajudam a diagnosticar os problemas de seus pacientes. São poucas as ocasiões que ele se encontra com os doentes, preferindo manter-se longe deles. Para ele os pacientes são apenas objetos, o que importa mesmo é descobrir a doença que eles têm. Uma de suas frases mais marcantes é a de que todo mundo mente, everybody lies. Com isso ele não acredita nunca no que seus pacientes falam, e é bem recorrente ver seus subordinados tendo que invadir casas e escritórios em busca de elementos que expliquem a doença.

A série é boa justamente pela genialidade de House. Não só por que ele descobre os problemas de seus pacientes, mas também o modo como o faz, com epifanias em cada episódio, deixando os espectadores, ou pelos menos eu, surpresos com sua habilidade.

A questão é que, depois de cinco temporadas fazendo sempre tudo igual começou a ficar um pouco cansativo. Por mais que na última temporada tenham tentado mostrar mais o lado humano de House, ainda era tudo muito repetitivo. Os episódios começavam com o paciente doente, o caso chegava à equipe de House, eles passavam os quarenta e cinco minutos tentando resolvê-lo, e, ao final, tudo dava certo. Mas aí veio a tão esperada sexta temporada, que estreou no Brasil no dia 22 de outubro. Essa temporada começa com House em uma clínica de reabilitação para tratar seu vício em Vicodin, e com isso, conversando mais, falando mais de sua vida, tendo sessões de terapia, mas ainda assim sem perder sua acidez. Ao longo dos episódios ele volta para o Princeton-Plainnboro, hospital onde trabalha. Até agora já foram 10 episódios americanos, metade da série, e ele tem se mostrado cada vez mais vulnerável a pequenos sentimentos, como por exemplo a declaração que faz a Cuddy, sua chefe e paixonite aguda.

Por mais estranho que possa parecer, eu me apego a esses personagens de séries. Chorei muito ao final de Friends e Gilmore Girls, por exemplo, por saber que não os teria mais no meu dia a dia. Com House, eu sinto, de certo modo, uma empatia. Gosto dele. Acredito que ele é capaz de mudar e ainda assim ser um médico tão bom quanto é. Enfim, loucuras à parte, recomendo a série, que é ganhadora de quatro Emmys e dois Golden Globes. Mas é claro que se deve assistir desde a primeira temporada, se não, perde a graça!

domingo, 29 de novembro de 2009

Páginas em branco

with the chase and the catch,
and some make up sex,
so it feels a bit less lonely,
for a cold and lonely girl like you
Dashboard Confessional

Ela acordou com a cabeça latejando e um enjôo imensurável. Pensou ter dormido por dias, mas haviam sido apenas algumas duas ou três horas. Tentou levantar, as dores nos pés não permitiram. Talvez fosse melhor esperar mais alguns minutos na cama. Achou que poderia dormir mais um pouco, mas o mundo rodava com os olhos fechados, péssima idéia. Encarou o teto e tentou afastar todos os acontecimentos da noite anterior, mas eles a perseguiam como lobos famintos. Sentia-se vazia, como não se sentia há muito. Por mais que tivesse sido uma noite incrível, com risadas, amigos e pessoas novas, ela sabia que não era isso que ela queria. Sabia que era tudo por uma noite. E estava cansada de ser uma personagem de apenas uma noite, ela queria mais.
A cada cena e palavra que passavam por sua mente o enjôo piorava, a tontura também. Decidiu-se por enfrentar as dores nos pés e tomar um banho. Arrastou-se para fora da cama como quem não tem pressa alguma, avaliando cada dor muscular e tendo muito cuidado para não fazer movimentos bruscos com a cabeça. Tirou a camiseta velha que usava como pijama e se olhou no espelho, estava acabada.
Entrou no box e abriu a torneira. Deixou a água cair no corpo, sem se preocupar se estava quente ou fria. Molhou o cabelo, que cheirava a um misto de bebida, suor, cigarro e perfume. Passou os dedos por entre os fios, puxando-os para trás, desejando que a dor de cabeça fosse embora com a água que escorria por seus ombros.
Passou as mãos no rosto e viu a maquiagem preta saindo dos olhos. Queria poder fazer o mesmo com toda aquela incerteza e insegurança que tomavam conta dela naquele momento. Queria que a água a lavasse por dentro. Sentia-se um lixo. Sentia-se mal, esquecida, vazia, sozinha. Detestava saber que tudo o que acontecera era apenas mais um capítulo da fraca história que escrevia. Sem quaisquer sentimentos ou sinceridade. As risadas não eram sinceras, nada era sincero.
Era uma personagem que não queria ser. Uma história errada, que não devia fazer parte daquela vida. Eram os momentos vazios, as páginas em branco.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Por favor...

Por favor, não vá. Fique, nem que seja só por algumas horas. Fique para que eu possa olhar só mais uma vez o seu sorriso, e lembrar o quanto ele me revigora.

Por favor, não vá. Preciso de você, da sua preocupação, do seu carinho e do seu olhar. Preciso das conversas intermináveis, mas que você sempre sabia silenciar com um beijo. Preciso do beijo, do abraço, do sono.

Por favor, não vá. Os meus sorrisos são mais sinceros ao seu lado. As preocupações parecem pequenas com você, o mundo parece pequeno com você.

Por favor, não vá. Acredite, só mais um pouco. Só o suficiente para que eu memorize cada fala, cada movimento, cada olhar. Não quero me esquecer da sua voz, do seu cheiro, de você.

Por favor, não vá...

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

É...

Chega a um ponto que deixa de ser um jogo, e passa a ser sua vida.



terça-feira, 17 de novembro de 2009

O fim do ciclo

Três meses. Três longos meses haviam se passado. Hoje eu pensava em tudo o que havia acontecido. Em como eu pude ser tão idiota, tão ignorante, tão ingênua. A noite quente e ociosa me fazia lembrar daquela fria, em que a sinceridade me assustou e o medo falou mais alto. Ainda podia lembrar do desespero, do choro, do abraço e da maldita promessa que nunca foi cumprida. Nem nunca seria, aparentemente.
Durante três meses fui mãe, amiga, irmã, namorado e saco de pancadas. Durante três meses fui mais do que poderia aguentar. E não aguentei. Sucumbi frente àquilo que não era meu. Não era minha responsabilidade, não era minha culpa, não era absolutamente nada meu. Eu era o bombeiro que se culpava pelo incêndio e por aqueles que não foram salvos. O quão estúpido poderia ser isso?
Mais estúpido ainda foi o quanto acreditei que eu poderia fazer algo. Que eu poderia mudar a situação, afinal, sentir-se impotente é a pior sensação do mundo. Mas eu não seria capaz de alterar nem uma peça sequer daquele confuso e problemático quebra-cabeça. E mesmo sabendo disso lutei contra a maré, fui fraca, fui condescendeste, me deixei ser influenciada. Cheguei ao fundo do poço para tentar salvar e corri o risco de ficar por lá.
Três meses depois eu tinha uma certeza: a decisão não era minha. Eu não conseguiria dar força de vontade a ninguém. Não mudaria ninguém com pequenas palavras. E aquela não era a minha vida. Eu bem que tentei, mas são poucos os que conseguem salvar o mundo, ainda mais quando a salvação não é desejada.

E o que parecia ter nos unido tanto, agora nos afastava...