Depois de me perder entre a Pompéia e Perdizes, e ter quase certeza de que não chegaria a tempo, lá estava eu em frente ao número 175 da Rua Piracicaba. As portas de vidro me davam certo medo. E o que me esperava lá dentro parecia falar ao meu ouvido: entra Camila, entra! Estacionei o carro, tentei controlar o nervosismo e a ansiedade e fui. Na porta dei de cara com o Paulo Soares, vulgo Amigão, que não só abriu a porta pra mim como também me deu um ‘boa noite’, me deixando um pouco mais nervosa. Na recepção tive que esperar o meu anfitrião, que chegaria em alguns minutos. Enquanto esperava passaram pelas portas de vidro ninguém mais ninguém menos do que José Trajano, Juca Kfouri e Eduardo Elias. Quis morrer.
Enfim ouvi a voz do PVC me chamando. Passei pela catraca com o meu belo crachá de visitante e o segui. Em uma parede estavam penduradas placas de concreto com as mãos e os pés de jogadores e técnicos. Entre eles, Felipão, Ronaldinho Gaúcho e Gilmar. Apaixonante. No camarim pude ver os homens que eu tanto admiro sendo maquiados, no mínimo peculiar. Pude também ouvir uma conversa entre João Palomino, PVC e Juca Kfouri sobre Joanesburgo e a Copa de 2010. Pronto, cinco minutos lá dentro e uma certeza: eu estava apaixonada por aquele lugar.
A caminho do estúdio o PVC me mostrou onde era gravado o Bola na Rede, o Loucos por Futebol, o Sportscenter e o Linha de Passe. Mais uma vez, apaixonante. Eu parecia uma criança na véspera do Natal, com um sorriso de orelha a orelha e os olhos brilhando. Sentei na cadeira designada a mim e fiquei lá, apenas observando o que os quatro faziam. Cada movimento, cada fala, cada risada. Querendo que os minutos passassem mais devagar ou que o programa tivesse no mínimo umas dez horas. E mesmo assim não seria suficiente.
Tudo aquilo parecia outro mundo. Um mundo mágico, um mundo que eu estava louca para fazer parte. Faltando meia hora para o programa acabar, quando eu imaginava que nada mais pudesse aumentar meu sorriso, o estúdio do Sportscenter é aceso. Apaixonante, pois qualquer outra palavra não faria jus para o que eu senti no momento. Paulo Soares e Antero Greco entraram e sentaram no cenário. Quis morrer, de novo.
Ao final, o PVC ainda disse as três palavrinhas que fizeram da noite uma das mais memoráveis: aparece de novo. Saí daquele mundo lindo com a sensação de estar completa e de ter me encontrado. E mesmo a chuva e o trânsito da madrugada na Marginal Tietê não me tiraram aquele sorriso. O mundo da ESPN tinha se alastrado para o meu, pelo menos naquela noite.