sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Coisas de família - episódio IV

*Em uma manhã de domingo...

minha mãe: Quem pegou o meu computador??
meu irmão: Eu!
minha mãe: O que você tá fazendo com ele?
meu irmão: Armando uma bomba atômica, eu vou explodir a África!
eu: A África, a Oceania e um continente a sua escolha?
meu irmão: É, mas ainda não escolhi o outro continente.
eu: Explode a Europa
meu irmão: Mas eu gosto da Europa
eu: Mas vai ser mais fácil explodir a Europa, que é menor, do que a Ásia!
meu irmão: Tem sempre a América.
eu: Mas você mora na América, Ti!
meu irmão: Hm, verdade... E se eu explodir só a Europa Oriental?
eu: Não tem essa opção, Ti, ou é a Europa inteira, ou não é.
meu irmão: Eu posso dividir a África em dois continentes
eu: Você não pode criar um continente novo!
meu irmão: Droga, verdade...
minha mãe: Dá pra você sair do meu computador, Tiago??

Que tipo de mãe não deixa os filhos dominarem o mundo?

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Do desespero

Enjôo, dor de cabeça, lhe falta o ar. O choro fica preso, querendo sair, explodir em um turbilhão de pequenas e sinceras lágrimas. Tenta respirar, mas o peso enorme no peito não deixa. Morde o lábio, finge que não pensa, finge que não quer pensar. Engole em seco, mas é difícil. Na garganta, um nó. Tão grande que lhe rouba a voz, mesmo se quisesse falar, não poderia. Suspira, respira fundo, qualquer coisa para poder encher seus pulmões, mas estes parecem cada vez mais vazios, como um vácuo sendo formado dentro de si. Franze o cenho, tenta entender. Mas o que há para entender? A tontura demora, mas chega, devastadora. Visão turva, cérebro retorcido, pulmões sem ar. Onde está o ar? Faz a si mesma mil perguntas, sem qualquer resposta. Deseja as respostas assim como deseja o ar, a visão, o choro e o fim. Fim da tortura, fim do questionamento, fim dos pensamentos, fim da esperança. As lágrimas não correm, o enjôo não se desfaz, a dor de cabeça não se vai, o chão não volta ao seu devido lugar, a visão não deixa de ser preta. E as respostas não chegam, elas nunca chegarão.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Desejo a você

Vá! Viaje, voe, vibre! Veja o mundo, descubra cada pedacinho dele, cada detalhe, cada sentimento. Conheça o que tanto lhe fascina. Faça o que precisar, e o que não precisar também. Viva os sorrisos, os beijos, os abraços. Viva cada romance como se fosse único e último. Aproveite cada momento, cada sensação, cada cheiro. Não pense muito, aja mais.

Cante, dance, toque. Os faça sozinho e acompanhado. Perceba que nenhum ser humano sabe ser solitário. Faça questão de ter as melhores companhias do mundo, só assim poderá dar o máximo de si. Saiba que qualquer um teria o maior orgulho de dizer que é seu amigo.

Tente colorir a vida daqueles que não têm mais esperanças, do mesmo jeito que fez comigo. Tente e consiga. Só assim irá perceber a importância e o impacto que você causa às pessoas a sua volta. Não tente, no entanto, mudar o mundo. Mude a vida de uma ou duas pessoas, você terá mudado o mundo delas.

Sonhe, voe, conheça, desvende. Tenha a certeza de que aqueles que te conhecerem no meio do percurso saibam quem você é. Lute. Lute sempre, por tudo aquilo que você quer e por tudo o que deseja ser. Os seus sonhos não são mais sonhos, são o início da realidade, lembre-se disso.


Vá... mas volte. Volte para mim, para sermos como fomos, e como ainda poderemos ser.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Para jamais esquecer

Lembre-se do que fomos,
E não do que deveríamos ser.

Lembre-se das risadas,
Deixe as lágrimas no passado.

Lembre-se dos sábados e domingos,
As segundas-feiras não lhe são importantes.

Lembre-se das noites estreladas,
Aquelas nubladas só confundiam sua mente.

Lembre-se do sono,
Esqueça as madrugadas não dormidas.

Lembre-se da música,
O silêncio pode ser assustador.

Lembre-se de todos os sim,
E esqueça qualquer não.

Lembre-se da deliciosa esperança,
As ilusões não lhe serão úteis.

Lembre-se de mim, por favor, lembre-se de mim,
Mas jamais esqueça de si mesmo.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

A Paixão

Ao entrar era possível sentir uma leve vibração, vinda sabe-se lá de onde. Aquela enorme construção é capaz de fazer qualquer um respirar fundo, só para que aquele cheiro de concreto penetre os pulmões. Estou embaixo do que, em algumas horas, estará lotado pela platéia do grande espetáculo. Posso ouvir alguns tímido gritos, que tornar-se-ão gargantas roucas ao final da noite.

Finalmente passo através de um dos muitos arcos que dão acesso a grande arena, estou dentro. Os holofotes iluminam o belo gramado a minha frente. Páro e posso ver as tão conhecidas cores: o amarelo, o azul e o vermelho. Em algumas horas elas deixarão de existir. Respiro fundo, como se pudesse captar um pouco daquele momento através do olfato. Olho em volta e percebo que as simplórias e já familiares cadeiras laranjas me esperam. O céu está estrelado e a noite promete.

O relógio marca vinte e duas horas. O campo agora tem a presença de 25 homens e uma bola. Bandeirinhas a postos. Bola no meio de campo. O juiz apita. O primeiro chute, vindo do lado argentino, é dado. A torcida vibra. O espetáculo inicia-se. Serão noventa minutos de muito sofrimento, gritos, aplausos, unhas roídas, uuuuhs e, assim espera-se, muitos gols.

É lindo ver o estádio do Morumbi lotado. As cores vermelho, preto e branco tomam conta de cada pedacinho das arquibancadas. Na torcida os cantos não param por um segundo. Ela empurra o time. E o time empurra a torcida. A explosão após o primeiro gol é indescritível. A bola balança a rede, e, então, vem aquele milésimo de segundo do mais puro silêncio. Seguido do estrondo de mais de cinquenta mil pessoas berrando em uníssono.

Passes certos, passes errados. Diversos gols perdidos devido à afobação. Defesas espetaculares. Dribles, olés. Escanteios, laterais. Faltas, pênalti. Goleiro, bola, goleiro. Gol! Temos o melhor goleiro do mundo.

Noventa minutos depois o sagrado apito faz os seus últimos dois sons da noite, sinalizando o final da partida. Mais uma explosão. Aplausos e sorrisos em todos os rostos. E uma certeza: estávamos a três passos de sermos donos da América. E o sonho de sermos donos do mundo estava mais vivo do que nunca.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Da antítese

Você é a luz e a escuridão
O quente e o frio
O riso e o choro
O desejo e a rejeição

Você é um erro
O erro que acho certo
E me permito errar
Para poder lhe encontrar

Você é a antítese perfeita
Que me impede de dormir
E me obriga a acordar

E vivo em uma eterna dúvida
Dúvida incerta
Dúvida correta
Dúvida de querer te amar

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Sorrisos bobos

Ele era estranho, e ao mesmo tempo não era. Não sei ao certo como eu poderia explicar. Ele tinha um certo mistério, que acho que nem ele saberia dizer o que era, mas havia algo, eu sabia disso! Conhecia-o há pouco tempo, mas já parecia tão integrado a minha vida que me assustava um pouco, bem pouco.

Naquela noite eu o observava calada. Apenas prestando atenção em cada movimento dele. Ele ria, de um jeito que só ele sabia fazer. E isso me deixava com um sorriso bobo no rosto, que logo tratava de esconder para que ninguém a minha volta percebesse, se é que já não tinham percebido.

Incrível como parecia sempre estar de bom humor, mesmo que eu soubesse que algumas vezes fingia. Mas fazia questão de não mostrar isso a ninguém, os seus problemas eram somente dele. Eu apenas imaginava que ele os tinha, e ele havia me contado apenas um.

Estava sempre disposto a me fazer rir, e sempre conseguia! Fosse com um escândalo no meio da rua, fosse com um simples abraço, um beijo na testa e um 'obrigado'. E eu me derretia, como uma boba. Cheio de piadinhas, tinha um jeito único de ser, que eu não conseguiria expressar em palavras, nem seria fiel o bastante se tentasse.

Eu o conheci de uma forma um tanto quanto peculiar, e julguei-o erroneamente, como sempre faço. Ainda bem que eu também tenho o costume de não acreditar em primeiras impressões. Ele com certeza me surpreendeu!

As minhas risadas eram mais sinceras ao lado dele. As poucas vezes que estivemos juntos me davam doces lembranças e mais sorrisos bobos. O modo como me tratava como uma criança e ao mesmo tempo como uma adulta, me fascinava. Ele era fascinante!


E eu... bom, eu estava apaixonada.